quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

obscuro o teu nome



- obscuro o teu nome
soletra devagar o medo,
o abismo em cada letra, onde o passo pouco firme pode
conduzir a loucura se por desventura se perder o norte.
entre cada letra esta o espaço entre a vida e a morte
quem por ali caminha caminha no fio da navalha,
no teu nome
- só pode quem conhece o labirinto.
o poema cresce nesse espaço, onde o baptismo um dia te envolveu,
a agua que um dia te tocou a fronte deixou a sua marca;
afogou-te sagrado, entre os óleos.
de cada vez que soletro, lendo
fio a fio as letras dessa nomeação
pergunto - quem és tu?
o grito e o sangue no corpo
e as sombras nos cristais, no cálice
na unção, a morte e os espíritos no grande claustro, os perfumes
a envolverem passo a passo o espaço da tua vida; o coração numa chaga aberta sobre o liquido.
perdido na pia baptismal ficou um corpo infantil.
- o que hoje as letras escrevem, ninguém já sabe bem o que e.






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essa voz, o som








o som dessa voz, audível modo
de tocar na luz -manhas acesas sobre o mar,
a onda eléctrica, a corrente feroz
as mares enroladas
ao topo da acesa madrugada e o sol a nascer
em cima de tudo isso.
a praia escorrendo o sal
as areias por onde algas se estendem,
dedos frios tocando nos pés,
ao longe marítimas mares
a tua boca húmida.
a língua descendo radiosa
pela fruta diametralmente oposta a maça
atonitas gaivotas picando o peixe
a voracidade de um corpo atacando outro, que manhas.

corpos próximos, maquinas de amor
enrolados ao sul no sal, saboreando
as línguas e o mar.
um quadro pintado a mão, vertiginosa alucinação
literalmente em cor e em paixão, devagar.

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terça-feira, 14 de Outubro de 2008

singular objecto





a minha cabeça acendeu-se
a minha cabeça levantou-se
a minha cabeça, singular objecto de luz,
a minha cabeça tocou na tua cabeça.
a corrente tocou a fronte
a fonte energética fez o raio
o raio incendiou tudo.
a tua cabeça
tocou-me,
eléctrica
a tua cabeça dançou sobre a minha cabeça e
frenética
derramou o mel do afago
derramou todo o ritmo sobre meu corpo
a minha cabeça voou
explodiu,emitiu sons, dançou
a minha cabeça de isqueiro
toda acesa para ti, singular objecto de amor.







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estranho territorio




ela repousa
a malha complicada , põe os quadrados de pão
na mesa, a faca que repousa do corte.
uma toalha as riscas, eis o território; as linhas sumptuosas do aquário,
o peixe a contemplar o vácuo, com os seus olhos de peixe
a salvo da frigideira.
intocada pelo tempo
a sombra dele na porta afaga a sombra.ela levanta a cabeça
põe de lado a mão na faca.

corta devagar a carne,
o fogo, ele espevita-o na lareira
crepitando lambe-lhe quase cozendo a mão.
o olhar reflecte fluindo nas chamas a sua essência,
a luz tremula do beijo reflecte-se nele. o gesto,
a luz toca-lhe
em todos os tons de vermelho
a faca poderá cortar o medo, ele porem não o corta.repousando a mão
ela agarra uma maça e come-a.




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la la






a minha ambiçao e chegar
ao lugar
onde apenas o silencio se encontra,
acima,
nos ceus ou nos sitios
escondidos onde apenas
a pa, a terra,
a cova, onde nunca mais sei la, ouvirei
senao o eco do nada
o silencio cada vez mais instalado na minha vida
sem macula
onde pa a pa a terra me enchera os ouvidos
e eu nao mais
ali, la
no paraiso perdido



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sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

o poeta habita silencios




o teu silencio atravessou o mapa
cruzou todos os rios chegou aos oceanos-
incolume, a tua boca fechou as palavras
as portas cerraram-se devagar janelas cobriram-se de negro.
houve uma morte diziam ,
o poeta cerrou os dentes
agarrou os papeis com as maos negras, fechou a tinta
dedicou-se ao silencio.
- podem os votos manter-se eternos?
ou existem promessas de oiro para depois?-

os poemas soltam na noite as miriades de estrelas que dançam
fixamente em volta das labaredas, os buracos
negros absorvem as petalas de todas as rosas e o poeta sorri,
desfigurando silabas,
virgulas pontos
territorios perigosos onde correm estatuas devotadas a uma vida.
no silencio onde o poeta longinquo habita para sempre eterno
habitam demonios mudos.


que maneira estranha de morrer para o mundo.






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uma criança uiva - a solidao da noite envolve








uma criança uiva - a solidão da noite envolve
o brilho de estrelas
nada se vê; as montanhas são sombras perdidas nas sombras da meia noite.
uma criança grita, as unhas cheias de terra procuram a mãe que se
perdeu,negras brechas abertas de onde corre o sangue
a fome enlouquecendo devagar.
portas para o paraíso onde?
fecharam-se esses portões; a mãe ficou dentro do poço.
inatinginvel ponto
foice e manto da morte e tudo quanto resta agora
silabas perdidas dos lábios ainda se ouvem.
mas e tarde agora.
uma criança uiva e só a morte a contempla.








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terça-feira, 7 de Outubro de 2008

memorias escritas



a carta em cima da mesa
perdida por entre papeis velhos onde antigamente o teu nome.
envelopes tristes, cinzentos agora
evocam as cores onde outrora os tons
de ouro brilhavam.
triste triste voa agora a pomba,
sem lar ou gaiola que a prenda
e tu navegas por entre as ondas
noutra águas menos verdes poluídas pelo petróleo
trazido do mar do norte.

o amor e assim.
súbito perde-se pelo meio dos sons
inúteis que alguém vocifera na noite
e nada mais o traz de volta.
os barcos esses, continuam a navegar
porem as águas não voltam a tocar o porto
e a lua passa iluminando outras colinas.

de ti ficou apenas essa carta sombria
onde as palavras deixaram de ter significado.
quanto as memorias; acabaram por se perder no tédio
que a solidão sempre nos traz.
perdidas memoria de um tempo
em que um beijo era maior que o mundo , em que as palavras
se adivinhavam num toque de mãos e seios.





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perguntas





e tu perguntas-onde o mar
e as areias saltam empurradas pelo vento que grita pelo teu nome --
onde estas?
eu e tu separados pelos oceano do tempo
pelas lágrimas desse sal
pelos antigos sonhos perdidos no desespero de saber que não mais
havemos de voltar
ali onde em tempos o riso e o vinho
o toque e o fado nos alimentava a alma.


onde estas?
e esse mar onde dança agora?
onde estamos e onde esses nos eternos, sublime
ligamento de sangue e nervo.
tu a minha constante inspiração
a memoria e o espírito onde estas?


nas trevas a que submeto o amor
estão a paixão e as dores do tempo em que a candeia perdeu a sua luz.
onde esta o mar perguntas.
eu pergunto onde ficou o amor louco e a inocente paixão.
no tempo das flores raras e das macieiras de ouro ficaste tu meu amor
perdido nas labaredas de luz.


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segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

a carta extraviada





Perdoa-me

sei que não se dedicam

poemas

aos poetas

que como tu são Altíssimos,

mas ISTO

não pretende ser

não quer ser

não e

um poema.



Andei ao que parece

a enviar as cartas

para regiões inóspitas

e claro,

onde tu não estavas.



Onde estarás

em que cadeira te sentaras

agora

comigo aqui tão so neste sulutitario

com ESSE lugar vazio

a meu lado

e tu tão longe

a contemplar com o sorriso

cheio de dentes

as luas

onde cavalgam

raparigas novas

e nuas

por cima de cabeças

que se juntam para estenderem as bocas

e as línguas em fogo

que saltitam

como cobras.



Tu ao longe a afiar as unhas

nas pedras negras

para ficarem finas

e roubarem os olhos

as jovens raparigas,

mas vivo- ISSO eu sei



( Redivivo )


vives

dizes tu

que revives

(novo verbo

desse teu idioma

tão antigo)



Perdoa-me eu não sei

se estou ISSO

talvez esteja por ai talvez, mas não sei

nem sei por onde andaras

o que farás

nem se eu ainda em ti.



Só sei que ISTO

não pretende ser um poema

não quer ser

não e

um poema;

só apenas o que ando

para te vos encontrar

e se não puder

e se tu nunca leres

estas vivo ,

e ISSO é tudo.








Lagos, 1.2.02




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Igitur ou o menino de oiro






Há muito muito tempo,
veio ele o menino Igitur, era menina muito
era cega eu
não o vi.
Ele estendeu as mãos
queimadas a ouro
e com os seus dedos
em pontas
tocou-me,
mas eu menina muito não o senti,
passado foi ainda mais
o tempo
e voou com as horas
e com os amados
que eram de todas as cores e Igitur,
o menino do principio
sorriu-me,
mas eu menina muito distraída
voltei minha cabeça
ao contrário
e ele passou;o momento
em que o menino, á meia-noite
como uma nuvem azul
deslizou na garupa do vento;
muito muito tempo passou,
todo o tempo do universo
passou
e eu menina não mais.
Triste triste fiquei
a janela da memória
procurando Igitur,
o arcanjo
com sorriso de querubim
e olhos de azul sem fim
mas Igitur
cansado julgo eu,
da dança inútil á volta da menina
partira.
E não mais a beleza
dos cabelos de oiro,
não mais o sorriso,
só sombras na queda da meia- noite
a chamar pelo nome
de Igitur o grande mago
que no cabelo da menina
tocou
com uma rosa,
uma pétala, um amor.





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Os tempos estão definitivamente
dificeis,
Laurence a Laurence
todos os poetas desaparecem
na curvatura
de um circulo de mortes.
E como se fossem de pó
desaparecem,
ora montados em motocicletas
como arcanjos
ora levantados ás nuvens
em ondas cor de rosa
onde os cigarros voam,
perdidas pelo espaço.
Pedra a pedra,
todas as casas poéticas caem
cortadas pelo meio
onde empreiteiros
de visões com cifrões espreitam;
e em lugar das palavras
onde habitavam gnomos,
jovens casais promitentes
prometer-se-ão acordos mútuos
em notas de crédito
onde não conseguirá subsistir
a música.
E longínquos, os poetas,
aqueles que Lawrence a Lawrence
escolheram aquelas estradas
de onde nem sempre se volta
hão-de acenar com as mãos
sagradas
pela queimadura genuína das letras
E ficarão para nós,
( esta geração de habitantes
de centros comerciais
e de pequenas lojas de “ fait divers “)
como Deus ficou
para Moisés Sarças ardentes, Puríssimas
chamas de fogo
Altíssimas labaredas de espirito
a indicar-nos caminhos
que não mais veremos
perdidos como estamos
na mudança de tempos.
E as teias de aranha,
os grafitis que cercam
os muros da tua casa
como serpentes verdes, enrolam-se
nas paredes como plantas
que fossem outrora vivas.
E a tua casa
onde todos os silêncios remexem,
sussurra
como se uma nota ainda
de cor a inspirasse
e as tuas palavras
habitassem ainda
a sua cercadura de névoa.
Porém,ao cume do entardecer
contempla-a a morte
e o norte desfaz-se
de encontro as paredes altas de uma montanha
onde detritos enormes
apagam os doces
perfumes subtis do Mareotis
-em certas partes do mundo,
a vida conduz-nos sempre á morte. -
Quanto ao teu nome, meu amigo
foi a única coisa varrida
daquele canto onde
Lawrence a Lawrence
desaparecem a pouco e pouco
os poetas
montados nas suas melancólicas
motocicletas
de luz.

E no Tejo viaja-se de barco
como suponho, se viaja ainda
de barco no Mareotis;
as pessoas passeiam-se a beira do rio
exactamente
como se passeiam lá,
e também como na Baixa, onde a luz
se mistura com a água
existem poetas que murmuram
palavras encantadas
na esperança do tal milagre
da transmutação dos metais em ouro.
Existem poetas em todas as cidades
existem poetas cristãos
e poetas árabes
e até mesmo para espanto
de certas criaturas
poetas negros e judeus.
Porque a poesia é contra todos
e não tem cores especiais
como dizia o outro.
E ali no Tejo, ao porto
como lá, no tal Mareotis
onde a luz toca nas areias
para lhes dar os brilhos diamantinos,
existem os tais seres
que como os meninos
brincam e jogam
eu juro ! –
com as palavras que dão a
cor a toda a realidade.

E se o Pessoa e o Cesário
se tivessem encontrado com o Kavafis
que tal não teria sido
o jogo á bola
com as palavras a saltitarem
de cabeça para cabeça
até ao extraordinário golo vaporoso
nas redes de Deus,

e lá,
naquela que é para mim
a longínqua Alexandria
ali,naquela que é hoje para mim
a tão longínqua Lisboa,
á beira
dos seus rios
posso imaginá-los, aos poetas
a passearam devagar pelas ruelas
iluminadas pelo som regular
do que sonham
e consola-me neste isolamento
o poder de imaginar
que neste mesmo instante
se viaja de barco no Tejo
como imagino
se viaja de barco no Mareotis
e que,
Lawrence a Lawrence
apesar destes modernos tempos
da reanimação da construção civil
ficará
apesar de tudo
a Presença Real da tua vida
nos livros
que escreveste,
para dizer adeus.







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Uma Seta na Luz








uma seta
uma luz
um voo orfico
uma pedra
um diamante
um elefante
e tu

e no cafe sombrio
sombras fugazes
fugidias
levantavam voo rapaces
quando tu as vias
montado num cavalo cinzento
para nao dares nas vistas
fazias do voo negligente
uma altura divina

e uma seta
na pedra
uma luz
refectida em ti
um diamante
na fronte
uma ponte de seda
uma seta
na luz.





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o teu sexo verde









O teu sexo verde jasmim
que emerge da terra do
teu seio
jasmim
resplandece
tocado pelo sol.
De ti flor
vira a luz perfumada
e sensivel
uma tonalidade nova
impossivel
acarinhada no profundo
calor
que reanima.
E o teu sexo verde
jasmim

ha-de tocar o mais fundo
de mim
quando emergir da terra
do teu seio jasmim
tocado pelo sal da vida.































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obscuridade







a tua obscuridade enlouquece a cidade
tu caminhas por cima das aguas velhas gritam
que misterio e esse tu isso perdido nos horizontes
teus caminhos perdem-se e nada os recupera.
fechas as portas grutas desfazem se poeiras de montanha
pequeno seres maleaveis desdobram se em esforços
porem nenhum te encontra
foste o sal e o sol
a luz a areia engolida pelo mar as mares
as rochas conhecem-te as nuvens as gaivotas
navegas sempre ao alto as ondas obecem-te.

poderia a morte sorrir
um sorriso engelhado de rugas cavadas pelo tempo
pudesse a morte olhar com seus olhos encovados
escondido por debaixo de veus
pudesse o futuro a bola de cristal atira ainda
esperanças pudesses tu montar o ano do cavalo
o teu caminho cruza o caminho dos odios e sorris.
a cidade perde-se de ti
pedras e seixos saem do teu caminho e velhas roem o espaço dos
jardins com seus aventais negros
com suas saias de sete voltas.

sais e a noite ensombra-se
voltas-te e a luz esconde -se
estrelas caem a volta
esconde-se o horizonte.



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teu sorriso uma concha






a concha. um espaço fechado semiaberto
uma boca
perolas dentes abrindo a gruta por onde
o riso se desloca. uma parede de ar
o centro prateado
um eu tu eles provando mel e nozes
a boca colher. o sal.

uma criança pedindo o alimento lunar
sois derrento caldas doces
doçura maternal

e a concha entreaberta para o espaço
uma nave
o canto da unidade.
a morte espera na curvatura do sexo
espreita la onde se encontra o prazer.
dissolvem se as sombras dentro do anel
fecham-se portas devagar.









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rosáceo poema








rosas são senhoras de luz
dormem nas sombras que o sol alumia
e a noite deixam que lágrimas corram
para refrescar a fonte onde os gnomos
saltitam com o amanhecer

são límpidas folhas de cor
tocadas pelo vento e não existe lápis que
lhes devolva o tom se porventura lhes toca
na pétala a morte

mas são as senhoras do amor que
como elas e breve e desaparece na eternidade
de um beijo onde apenas a memoria permanece.







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ha sorrisos que nunca se esquecem



horas batendo na parede
o relógio tictac
e ele dorme sonha
trabalha.
anjos velam
revelam olham sonham os sonhos dele.
bate o coração da natureza nos sons da cidade
esperam os pesadelos
pendurados nas gargulas da igreja
erros também esperam la
tanto futuro esperando as horas.

ha sorrisos que nunca se esquecem. mães maças brilhando no cesto
e traças transparentes esvoaçando a roda da luz
lisboa longe longe e ele sentado a mesa sonhando
deixando atrás dele os poemas com que conquista a noite
rindo sorrindo viajante só.






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poeminha



viajei perdida
num espaço cinzento,
viajei contigo
esvoaçando ao vento

duas almas loucas
duas flores dois lamentos
duas pétalas roxas
os sons de um tango imenso.

percorri os caminhos
da tua alma vadia
enchi de sonhos lindos
minha alma fugidia

e ficamos enleados
nas horas de silencio
para sempre rodeados
no delírio do tempo.


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