obscuro o teu nome
- obscuro o teu nome
soletra devagar o medo,
o abismo em cada letra, onde o passo pouco firme pode
conduzir a loucura se por desventura se perder o norte.
entre cada letra esta o espaço entre a vida e a morte
quem por ali caminha caminha no fio da navalha,
no teu nome
- só pode quem conhece o labirinto.
o poema cresce nesse espaço, onde o baptismo um dia te envolveu,
a agua que um dia te tocou a fronte deixou a sua marca;
afogou-te sagrado, entre os óleos.
de cada vez que soletro, lendo
fio a fio as letras dessa nomeação
pergunto - quem és tu?
o grito e o sangue no corpo
e as sombras nos cristais, no cálice
na unção, a morte e os espíritos no grande claustro, os perfumes
a envolverem passo a passo o espaço da tua vida; o coração numa chaga aberta sobre o liquido.
perdido na pia baptismal ficou um corpo infantil.
- o que hoje as letras escrevem, ninguém já sabe bem o que e.

















